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Envolve o personagem: Maria - Médium

A Mulher de Olhos Antigos

Algo aconteceu esta noite.

A casa estava em silêncio quando a sensação voltou — aquela estranha impressão de que o ar havia mudado, como se o quarto não estivesse mais vazio.

Nenhuma porta se abriu.

Nenhum passo ecoou pelo corredor.

Ainda assim, havia alguém ali.

Quando levantei os olhos, vi uma mulher parada no outro lado do quarto.

Ela não parecia pertencer a este lugar.

Seus cabelos longos tinham a cor do âmbar sob a luz da vela, e seu rosto era sereno demais para alguém que surge na casa de outra pessoa no meio da noite.

Ela me observava com atenção, como se já soubesse quem eu era.

Não consegui dizer nada.

Foi ela quem falou primeiro.

“Você não faz ideia do que está tocando.”

Sua voz era calma — quase gentil — mas havia algo nela que fez meu sangue gelar.

“Há coisas que caminham do outro lado da morte que nem mesmo nós devemos chamar.”

Por alguns instantes ela permaneceu ali, em silêncio, me observando.

Como se estivesse decidindo algo.

Então virou-se e caminhou em direção à porta.

Enquanto se afastava, uma névoa fina começou a surgir ao redor dela, como se o próprio ar estivesse se dissolvendo em sua passagem.

Quando consegui reagir e corri atrás dela, a névoa ainda pairava no corredor.

Foi nesse momento que uma pressão estranha tomou conta de mim — como se o quarto estivesse girando.

A última coisa que lembro é de minhas pernas falhando.

Depois disso, apenas escuridão.

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