Nos últimos meses o vilarejo tem recebido muitos moradores novos.
A maioria passa despercebida. Pessoas comuns. Rostos que se misturam às ruas e às casas antigas de Salem.
Mas há uma mulher que não sai da minha cabeça desde que chegou.
Eva.
Quando a recebi pela primeira vez, como faço com todos os recém-chegados, nossa conversa foi breve. Educada. Normal… à primeira vista.
Até o momento em que ela foi embora.
Antes de sair, ela parou na porta, virou-se para mim e disse algo que ainda ecoa na minha mente.
Disse que eu jamais a esqueceria.
Na hora achei estranho. Apenas isso.
Agora não tenho mais tanta certeza.
Ontem à noite, ao voltar para casa, senti algo que não sentia há muitos anos.
A sensação de estar sendo observado.
Parecia que os olhos da cidade estavam voltados para mim.
Quando olhei para o outro lado da rua… ela estava lá.
Parada na sombra.
Eva não tentou se esconder.
Não tentou disfarçar.
Apenas me observava.
O olhar dela não parecia humano.
Não havia curiosidade.
Não havia vergonha.
Apenas… paciência.
Como se estivesse esperando alguma coisa.
Como se estivesse me medindo.
Fiquei ali parado por alguns segundos que pareceram muito mais longos do que deveriam.
E então ela sorriu.
Um sorriso pequeno.
Discreto.
Mas suficiente para fazer meu estômago revirar.
Não sei quem essa mulher realmente é.
Mas sei de uma coisa.
Algo entrou neste vilarejo.
E tenho a sensação de que Salem ainda não percebeu o perigo que está caminhando entre nós.